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quinta-feira, 17 de julho de 2014

Para viver de renda, você poupa ou investe? Veja a diferença

quinta-feira, 17 de julho de 2014

 São Paulo – Você sabe qual é a diferença entre poupar e investir? Para o planejador financeiro certificado (CFP) Janser Rojo, da Soma Invest, o brasileiro usa esses dois conceitos como se fossem sinônimos, e com isso acaba cometendo grandes erros na sua vida financeira.

“Estou juntando dinheiro para viajar”. “Estou poupando para investir no futuro dos meus filhos.” “Comprar a casa própria é um bom investimento”. “Meu irmão está guardando dinheiro para estudar fora”.

Essas expressões devem ser familiares para você, mas escondem alguns erros conceituais. “Muita gente acha que está investindo, quando, na realidade, está poupando”, diz Rojo, que tem certificação CFP pelo Instituto Brasileiro de Certificação dos Profissionais Financeiros (IBCPF).

Diferença não está no risco nem no prazo

Segundo Rojo, a primeira coisa que a pessoa deve entender é que poupar ou investir nada tem a ver com o risco da aplicação financeira escolhida ou o prazo.

“Primeiro é preciso definir qual não é a diferença entre poupança e investimento. Não tem nada a ver com risco, com prazo, com o tipo de aplicação que se vai utilizar ou com o montante que se vai investir”, diz o CFP.

Também não tem a ver com a presença ou não de um objetivo. Tanto para poupar quanto para investir é preciso ter um objetivo. Não se trata de juntar dinheiro apenas por juntar. A diferença, essencialmente, está na natureza do objetivo.

Poupança pressupõe uso do principal; investimento, geração de renda

A diferença básica entre poupar e investir é que a poupança pressupõe que você vai usar todo o dinheiro aplicado – não só os rendimentos, mas também o principal.

Já no caso do investimento, o objetivo é formar um patrimônio que gere um rendimento “automático”, que caia na sua conta periodicamente, e que você só use esses frutos, nunca o principal. “Ao investir, em momento algum você rapa a sua conta”, observa Rojo.

Por exemplo, ao juntar dinheiro para fazer um curso no exterior ou uma viagem, para pagar a faculdade, comprar um carro, casar ou dar entrada em um imóvel, você está poupando.

Você guarda dinheiro por certo período e depois usa todo o recurso aplicado para custear seu objetivo. O rendimento apenas ajuda a chegar ao objetivo mais rápido, repondo a inflação ou até ganhando mais que a alta dos preços, mas não é o mais importante.

Em função disso, outra característica importante da poupança é que o seu objetivo tem um preço bem definido: o preço do carro ou da casa que se quer comprar, o custo do curso que se quer fazer e assim por diante.

Já o investimento tem o objetivo de gerar uma renda no futuro. E esta renda, por sua vez, também tem um objetivo. É o caso da aposentadoria ou de quem quer atingir a independência financeira antes mesmo de chegar à idade de se aposentar – o popular “viver de renda”.

Viver de renda nada mais é que ter acumulado um patrimônio grande o suficiente para que apenas seus frutos – os rendimentos – sejam suficientes para o seu sustento, suas viagens, seu consumo do dia a dia.

Em geral, quem faz um plano de aposentadoria bem feito pensa em acumular patrimônio não para consumi-lo integralmente na terceira idade, mas sim para que seja possível usar seus rendimentos sem ter que mexer no principal.

Dessa forma, o patrimônio será capaz de gerar renda pela perpetuidade, e quando o investidor morrer, seus herdeiros o repartirão.

É claro que também é possível programar uma aposentadoria combinando as duas formas – consumo de rendimentos e de principal, até que todo o patrimônio se esgote, no fim da vida.

Mas como não é possível ter certeza de quanto se vai viver, essa estratégia pode ser arriscada.

Por conta desses fatores, o investimento não tem um preço definido a priori. Se o seu objetivo é ter uma “aposentadoria tranquila” ou “atingir a independência financeira”, é você quem define a renda necessária para conquistar essas condições.

Não que você não precise definir o montante a ser acumulado. Mas enquanto um determinado modelo de carro custa o mesmo para qualquer comprador, o conceito de “aposentadoria tranquila” e as necessidades financeiras variam muito de pessoa para pessoa.

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